quinta-feira, 11 de abril de 2013

CONHECER/ RECONHECER E VALORIZAR A CULTURA AFRO E INDÍGENA



                        CONHECER/ RECONHECER E VALORIZAR A CULTURA AFRO E INDÍGENA


APRESENTAÇÃO

Sabe-se que persiste em nosso país um imaginário étnico-racial que privilegia a brancura e valoriza principalmente as raízes européias, a sua cultura, ignorando ou pouco valorizando outras culturas, como a indígena e africana, camuflando imaginariamente a nossa realidade, que é fortemente marcada pela mistura e herança genética desses povos.

È essa visão que queremos despertar em nossos alunos, contextualizando essa realidade, promovendo uma análise crítica do assunto para a construção de conhecimentos e a valorização do negro e do indígena no desenvolvimento do nosso país, visando a transformação dos conceitos preconceituosos, valorizando práticas culturais e os conhecimentos historicamente produzido. Sendo assim, desenvolver – se à no decorrer do ano letivo os temas:Cultura Afro e Afro-descendentes e Cultura Indígena, abordados através dos tópicos abaixo:

. A presença dos Afro-descendentes e indígenas no Brasil;

. A contribuição afro e indígena nas diversas áreas culturais;

. A vegetação e espécies animais da África(fauna e flora);

. Medicina Alternativa;

. Alimentação Típica do Povo Africano e indígena: culinária, hábitos alimentares;

. Danças Típicas das Diversas Comunidades Africanas;

. Ritmos e Músicas Africanas;

. Vestuário Típico do povo africano

. Mitos e Lendas do Continente Africano;

. Expressão Artística Através do Artesanato;

. Cultos Afros e Misticismos;

. Cultos afros e suas relações com outras culturas

. Páises  Integrantes do Continente Africano

. Países Africanos Colonizados por Portugueses

. Literatura Afro e Afro-descendente – Poesia;

. Legislação: racismo
- Abordagem feita pela:
- Lei Federal
- Lei Estadual

• Diferenças étnicas e sociais no Continente Africano;

• Personalidades africanas e afro-descendentes;

• Abordagem dos tráficos de escravos.


OBJETIVO GERAL

Conhecer a diversidade étnico-cultural para compreender que cada povo possui sua identidade própria, presente nas crenças, costumes, história e organização social, percebendo as contribuições dos indígenas, africanos e afro-descendentes para o desenvolvimento da humanidade, em especial do Brasil, levando o aluno a se perceber parte desse povo, procurando desmistificar preconceitos e estereótipos enraizados e manifestados consciente ou inconscientemente, proporcionando o respeito as diferenças de qualquer gênero para a valorização do ser humano e da identidade cultural de todos os povos, exteriorizando desta forma mudanças significativas na prática social, desenvolvendo a consciência cidadã, promovendo práticas de inclusão.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS . Apresentar figuras ilustres que se destacaram nas lutas em favor do povo negro;

. Promover o contato do aluno com obras literárias que valorize a cultura e a identidade negra e indígena;

. Investigar situações em que o aluno perceba com nitidez a contribuição africana e indígena para o desenvolvimento do nosso país;

. Analisar depoimentos de negros e índios para que os alunos se conscientizem do racismo e de fatores de discriminação expressa em apelidos, gestos, xingamentos e muitas outras atitudes, exteriorizados de forma consciente ou inconsciente;

. Promover o estudo de situações de fala em que se percebe palavras ou expressões que denotam discriminação ou preconceito racial: xingamentos, gestos manifestos ou camuflados, que atinjam o ser humano em sua afetividade, abalando-o emocionalmente;

. Focar a questão do racismo e discriminação no âmbito da legislação federal, estadual e municipal;

. Estudar dados demográficos sobre as terras indígenas no Paraná;

ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO

A cultura afro e indígena será articulada com a prática social e aos conteúdos específicos das disciplinas através de projetos interdisciplinar, numa interação de linguagem corporal, escrita, audio-visual e oral, integrando várias práticas discursivas, mobilizando diversos meios para aprendizagem, tais como:
- Ler e interpretar letras de músicas relacionadas a questão racial;
- leitura de livros, revistas e jornais
- filmes
- pesquisa bibliográfica, tecnológica e de campo
- análise de quadros que retratam a figura do negro e do indígena;
- estudo de dados demográficos sobre as terras indígenas
- O índio e a questão ambiental;
- seminários para socialização de pesquisas e sistematização de conhecimentos.
- promoção dos gêneros musicais do samba e rap
- Produção e declamação de poesias relacionadas ao povo afro-descente, o indígena e sua cultura.
- organização de danças, focando manifestações corporais da cultura afro-brasileira e indígena;
- teatros focando a cultura afro e indígena;
- Análise dos dados do IBGE sobre a composição da população brasileira e por, renda e escolaridade;
- Estudo de dados estatísticos do indígena, analisando esses dados historicamente;
- Análise de pesquisas relacionada ao negro e mercado de trabalho no país;
- desenhos
- charges
- montagem de painel afro e indígena;
- Exposição de exemplares do artesanato Kaingang e Guarani do Paraná;
- Explorar DVD com informações sobre os povos indígenas do Paraná.

RELAÇÃO DE FILMES:

. A cor púrpura
Direção: Steven Spielberg
Sinopse: Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Woopi Goldeberg), uma jovem com apenas 14 anos, que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. (...) Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a “Mister” (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provém por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas ( a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando a consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece. Drama. EUA: 1985, 156 min.

. Atlântico negro: na rota dos Orixás
Direção: Renato Barbieri.
Sinopse: Viagem no espaço e no tempo em busca das origens africanas da cultura brasileira. Historiadores, antropólogos e sacerdotes africanos e brasileiros relatam fatos históricos e dados supreendentes sobre as inúmeras afinidades culturais que unem os dois lados do Atlântico. Visão atual do Benin, berço da cultura iorubá. Filmada no Benin, no Maranhão e na Bahia.
Documentário. Brasil: 54 min.

. Meu Mestre,Minha Vida
Direção: John G. Avildsen
Sinopse: O professor Joe Clark (Morgan Freeman, de “Amistad” e”Os Imperdoáveis”) retorna à escola pública de onde fora demitido para assumir o cargo de diretor. Em meio à desordem geral, ele aplica métodos nada ortodoxos para disciplinar alunos envolvidos com drogas e gangues. Sua conduta, no entanto, acaba gerando grande polêmica, dentro e fora do ambiente escolar.(...) “Meu Mestre, Minha Vida” é baseado numa história verídica. Romance/Drama. EUA: 1987, 109 min.


. O jardineiro fiel
Direção: Fernando Meirelles
Sinopse: Uma ativista (Rachel Weisz) é encontrada assassinada em uma área remota do Quênia. O principal suspeito do crime é seu sócio, um médico que se encontra atualmente foragido. Perturbado pelas infidelidades da esposa, Justin Quayle (Ralph Fiennes) decide partir para descobrir o que realmente aconteceu som sua esposa, iniciando uma viagem que o levará por três continentes. Drama . 2005, 129 min.

. Quilombo
Direção: Cacá Diegues
Sinopse: Em torno 1650, um grupo de escravos se rebela um engenho de Pernanbuco e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde uma nação de ex-escravos fugidos resiste ao cerco colonial. Entre ele, está Ganga Zumba, príncipe africano e futuro líder de Palmares, (...) Mais tarde, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contestará as idéias conciliatórias de Ganga Zumba, enfrentando o maior exército jamais visto na história colonial brasileira. Aventura. Brasil: 1984, 119 min.

. Um grito de liberdade
Direção: Richard Attenborough
Sinopse: Inesquecível amizade entre dois homens inesquecíveis. A tensão e o terror presentes atualmente na África do Sul são vivamente retratados nesta arrebatadora história dirigida por Richard Attenboroug sobre o ativista negro Stephen Biko (Denzel Washington) e um editor jornalístico branco liberal que arrisca a própria vida para levar a mensagem de Biko ao mundo. Depois de travar contato com os verdadeiros horrores do apartheid através dos olhos de Biko, o editor Donald Woods (Kevin Kline) descobre que o amigo foi silenciado pela polícia. Determinado a não deixar que a mensagem de Biko seja abafada, Woods empreende uma perigosa fuga da África do Sul para tentar levar a incrível história de coragem de Biko para o mundo. A fascinante história real oferece um relato emocionante do ser humano em seu lado mais nefasto e mais heróico. Drama. EUA: 1987, 157 min.
. Um sonho de liberdade
Direção: Frank Darabont
Sinopse: O diretor Frank Daranbont (“A Espera de um Milagre”) conta a história de um banqueiro condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua mulher, que faz da amizade com um prisioneiro veterano e o sonho de um dia ser novamente livre os motivos para continuar vivendo. Com Tim Robbins e Morgan Freeman. recebeu 7 indicações ao Oscar. Drama: EUA, 1994, 142 min.
. Xica da Silva
Direção: Carlos Diegues
Sinpse: Escrava que, durante o ciclo de ouro, na atual e rica cidade de Diamantina, aproveitou-se de sua sensualidade para conquistar a alforria e se tornar a rainha do Diamante, Brasil: 1976, 117 min.

. A Missão
Direção: Roland Joffé. Nacionalidade: ING – 1986. Duração: 125 min.
A história do filme se passa na América do Sul, em meados do séc. XVIII. O enredo se desenvolve em torno de um padre jesuíta espanhol que luta para resguardar os indígenas da exploração dos colonos portugueses. O grande objetivo do padre é construir uma missão e pregar o Cristianismo aos povos da região. Segundo a crença da época. Segundo a crença da época, eles acreditavam que os nativos estavam possuídos pelo demônio, necessitando da ajuda de Deus. O filme é interessante para se observar o papel da igreja na colonização da América e as formas de relacionamento entre europeus e nativos.
. Ganga Zumba
Direção: Carlos Diegues. Nacionalidade: BRA – 1963. Duração: 100 min.
A vida do escravo que fugiu de um engenho nordestino no século XVII e ajudou a fundar o Quilombo dos Palmares, tornando-se o seu primeiro grande líder.

.Desmundo
Direção: Alain Fresnot. Nacionalidade: Brasil – 2003. Duração: 110 min.
Órfã vinda de um convento em Portugal é enviada para casamento forçado no Brasil colonial, mas apaixona-se por comerciante judeu. Produção nacional que aborda o papel da igreja, a escravidão indígena, as dificuldades de comunicação e outros aspectos do período colonial no Brasil.

. Informações sobre os povos indígenas do Paraná (DVD do Kit Cultura Indígena)
. Conduzindo Miss Daysy.
. Raízes
. E o vento levou
. Zumbi.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

. Revista Horizonte Geográfica. Ano 18 nº 100. A Nova Face da África. P.46 à 55.
. Revista Horizonte Geográfica. Ano 13 nº 69. África: A vida na savana. P. 54 à 65.
. Revista Horizonte Geográfico. Ano 13 nº 71. Tunísia : O oásis da África. P. 68.
.Revista Mundo Jovem, nº 266 (novembro- 1995). História: 300 anos de Zumbi.P.12 e 13. (2 exemplares).
. Revista Mundo Jovem. Ano XL, nº 332. Novembro 2002. A África clama por solidariedade. (P.6) 2 exemplares.
. Revista Mundo Jovem. Ano XLIII, nº 359, agosto de 2005. Uma história sobre o negro no Brasil. (12 exemplares). P. 2.
. BARROS, José Flávio Pessoa de. O Espaço Sagrado do Candomblé Nagô.
. BARROS, José Flávio Pessoa de. Mello, Marco Antônio da Silva. - O Haiti não é aqui ou Encontro e Desencontro de Duas Tradições Religiosas: O Vodu e o Candomblé.
. Cadernos Temáticos. Educando para as relações étnico-raciais. Curitiba. SEED/PR. 2006.
. Cadernos Temáticos. História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
.Trapeli, Percival. Arte indígena: do pré-colonial à contemporaneidade. São Paulo: Companhia Editora Nacional,2006.

PROPOSTA DE ATIVIDADES POR CADA DISCIPLINA

LÍNGUA PORTUGUESA
- Levantar o vocabulário usado pelos indígenas e descobrir seus significados;

- Orientar os alunos para elaborarem pequenos textos sobre cada descoberta realizada;

- Ler histórias originalmente indígenas ou que tratem do indígena e seus valores;

- Organizar um dicionário ilustrado com as palavras indígenas.

- A mulher negra na nossa sociedade;

- Música: Criola ( Jorge Bem Jor ).

REDAÇÃO

- Produzir, utilizando diferentes formas de expressão, textos individuais e coletivos sobre os debates e as reflexões do assunto;

- Leitura e produção de textos narrativos sobre preconceito racial;

- Leitura de imagens: várias realidades vivenciadas por negros.

HISTÓRIA

- Reconhecer os modos de vida dos índios, sua cultura, sua alimentação, formas de trabalho e sobrevivência;

- Refletir e opinar sobre o papel do índio na formação da nação brasileira

- O racismo/ preconceito racial;

- O processo de abolição;

- Apresentação de figuras ilustres negras e mestiças da história brasileira passada e atual, bem como de pessoas afro brasileiro e indígena do convívio do aluno (Alunos farão uma exposição de fotos de personagens da sua comunidade que sejam afros descendentes e de povos indígenas);

- Música: Cidadão (Morais Moreira e Capinam);

- As contribuições dos negros africanos para formação da identidade brasileira;

- Produção de textos.

GEOGRAFIA

- Localizar em Mapa ou Globo Terrestre pontos do território nacional onde ainda vivem tribos indígenas;

- Comparar o modo de vida dos índios de outras regiões com o modo de vida dos índios que ainda habitam a floresta amazônica

- Diversidade étnica e cultura;

- Formação do povo brasileiro;

- As migrações;

- A África – Apartheid;

- Preconceito racial

CIÊNCIAS
- As doenças tipicamente africanas

- Leitura e análise de textos que refletem as condições subumanas vivenciadas por muitos negros em nosso país;

- O negro e as drogas

- Palestra com psicóloga e assistente social

MATEMÁTICA

- Textos que retratem a discriminação racial contendo dados numéricos;

- Elaboração de questionário e realização de pesquisa sobre discriminação racial;

- Construção e análise de gráficos;

ARTES E EDUCAÇÃO FÍSICA

- Observar manifestações de arte da cestaria, da cerâmica, da plumaria e de outros objetos de cerdas vegetais e cordas, realizados pelos índios de hoje e de antigamente;

- Vivenciar através de músicas sobre o tema um pouco da cultura indígena – cantando e dramatizando;

- Vivenciar através de atividades artísticas manuais e plásticas um pouco da cultura indígena, criando objetos e instrumentos musicais.

- A influência africana na nossa culinária, na dança, na música, na vivência religiosa e no jeito de ser brasileiro;

- Confecção de instrumentos musicais;

- Apresentação de peças teatrais, fantoches, recitais, exposições.

INGLÊS

- Identificação e tradução de palavras referentes aos seguintes temas:

- Pobreza;

- Discriminação;

- Injustiça;

- Construção de painéis informativos

O P E R A C I O N A L I Z A Ç Ã O
Deverá ser feita por série, mediante a escolha das atividades feita pelos professores da forma mais prática e de acordo à realidade da sua turma.

Avaliação do Projeto.

A avaliação nesse projeto se dará durante todo o processo para que o professor medie adequadamente o processo de construção de cada aluno, proporcionando a superação das dificuldades e a aquisição de novas aprendizagens. Além da avaliação no processo, realizar-se-á também a avaliação do projeto como proposta metodológica, a qual será feita no término dos trabalhos através de depoimentos (escritos e/ou orais) de todos os envolvidos.

Os objetivos serão alcançados se provocarem transformação comportamental, resgate da autoconfiança, sentimentos de auto-aceitação, transformação da auto-imagem de negativa em positiva, percepção da igualdade dos seres humanos legal e moralmente, percepção das diferenças como naturais e não como elementos de inferiorização, percepção de que os preconceitos são aprendidos no cotidiano.

Bibliografia

LUCIANO, Gersem dos Santos, O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje /– Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.

Saberes e fazeres, v.1 : modos de ver / coordenação do projeto Ana Paula Bran¬dão. - Rio de Janeiro : Fundação Roberto Marinho, 2006 116p. : il. color. - (A cor da cultura)


TÍTULO: Projeto Olhares III : Da Escravidão ao  movimento negro brasileiro: Sofrimentos, Lutas, Realidades, Problemas, Caminhos, Conquistas, Contribuições  e Histórias.
PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO: IV Unidade – com culminância no dia 20 de novembro.
Mensagem:
Quantos heróis nós matamos?
Hoje paro pra pensar na infinidade de heróis que eu deixei de ter,
Vejo que os heróis que cultuo não são meus, 
Mas que na sua maioria são programados, automatizados.
A divindade heróica deixou de ser sobrenatural para ser mecânica e manter o julgo de um sistema opressor.
Os heróis brasileiros não sentem dor, os heróis brasileiros...
Eles não cabem em mim, hoje posso concordar,
Ontem eles cabiam, e eu os recebia numa posição de servidão.
Eu menino, não me via em nenhum lugar, não tinha foco objeto ou a quem desejar.
Cultuar um negro? Deus-o livre meu netinho!
Você é moreno não é neguinho.
Nunca me vi em meus brinquedos, nas canções ou na tv.
Quem eu era até hoje não sei.
Os heróis brasileiros não sentem dor, os heróis brasileiros...
Aos vinte e poucos volto a procurar um herói negro que possa cultuar.
Um herói de resistência, preto em alma e em cor.
Um herói forte, morto pela força de quem o aprisionou, 
Um herói que transpira ou que na terra muito já chorou.
Volto ao passado e busco meus bisavós, ou poderiam ser os seus,  em nada iria mudar,
Encontro uma vitória e uma dor imaginas o quanto que esse povo sofreu e perdeu. 
Mas que sempre ergueu os olhos e lutou.
Os heróis brasileiros não sentem dor, os heróis brasileiros...
Todo o dia te lembre do preto safado, que no eito e no trabalho conseguiu te fazer negão.
Lembre da negra que calada dormia com patrão, por causa do silêncio conseguiu te fazer negão.
Lembras das chibatadas, as incontáveis, que em nosso lombo nunca doeu...
Marcou...
Lembre que delas muitos dos nossos padeceram e alguns de nossos guerreiros morreram com o lombo sangrando sem dizer não  e calar seu negro coração.
Vamos erguer monumentos a esse povo, não nas ruas, não nas praças,   mas em nossa pele já marcada.
Deixe pulsar o negro em você, ouça o tambor e não fique calado.
Ricardo Fernandes

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