quarta-feira, 29 de junho de 2011

                      Fábula: “Bullying na escola: o que é isso?”

         Houve um tempo em que o nosso planeta era habitado somente por animais. Era um tempo de grande harmonia entre as espécies. Querendo registrar em livros essa época da história, a bicharada resolveu criar a escola. Todos se empenharam em descobrir como participar da sua construção. Resolveram, então, dividir as tarefas, para que todos colaborassem.
            Os elefantes, os camelos e os pássaros ficaram responsáveis pelo fornecimento de água.
            Os leões, os rinocerontes, os búfalos e as zebras foram encarregados de fornecer toda a madeira necessária. Já os porcos, os hipopótamos e os jacarés cuidaram da confecção de tijolos. Os castores, os veados e as hienas, com o apoio dos joões-de-barro, se comprometeram em levantar as paredes.
            Como o trabalho exigia altura e agilidade, as girafas e os macacos se propuseram a construir o telhado. Os camaleões, os pavões e as borboletas cuidaram da pintura e da decoração.
            Depois da escola pronta, fizeram uma grande festa, para comemorar o resultado dos seus esforços. Descobriram que, graças à solidariedade e à cooperação de todos, poderiam, finalmente, estudar todos juntos.
            Com o passar do tempo, a bicharada tornou-se esclarecida e consciente da sua realidade e aprendeu, dentre outros conhecimentos, a importância de cada um na sociedade. Os bichos reuniram-se toda semana para discutir vários assuntos e encontrar soluções para a melhoria da qualidade de vida. As boas relações entre as diferentes espécies favoreciam tanto os que ensinavam quanto os que aprendiam.
            Porém, numa manhã fria de inverno, surgiu na escola um bicho muito estranho. Seu olhar de valentão dava medo, causava até arrepios. Ninguém sabia de onde ele tinha vindo e a que espécie pertencia.
            Não se parecia com nenhum habitante do planeta. Por suas características e pelo tipo de influência que provocou em outros bichos, chamaram-no de Bullying. Os animais que com ele tiveram contato mudaram o comportamento e a maneira de agir com os colegas. Tornaram-se agressivos, prepotentes e perversos. Adotaram formas de “brincar” muito diferentes das conhecidas até então. Suas “brincadeiras” geravam sofrimento, chateação, vergonha e constrangimento aos colegas, inibindo o aprendizado e a maneira de ser de cada espécie.
            Suas atitudes tornaram-se hostis com os mais fracos e indefesos As diferenças existentes entre eles, que antes eram consideradas normais, passaram a ser motivo de chacotas e ridicularizações. Os que apresentavam dificuldades de aprendizagem eram “zoados” e apelidados. Muitos acabaram desistindo da escola, outros sofriam calados, temendo represálias.
            A maioria dos bichos presenciava o comportamento dos colegas, mas, por alguma razão, nada faziam. Essas mudanças de comportamento provocaram sérios problemas de convivência na escola e o interesse pelos estudos ficou prejudicado.
            Assim, o Leão tornou-se o valentão da escola, agindo de maneira dominadora e procurando impor sua autoridade. O urso, vendo que a popularidade do leão crescia a cada dia, passou a usar sua força para intimidar e obter vantagens.
            A cobra, que até então era amiga e conselheira, começou a espalhar boatos difamando a galinha, dizendo que esta era namoradeira. Como tinha habilidade para desenhar, retratava a galinha em situações constrangedoras e passava para todos os colegas.
            O cachorro, que antes protegia a todos, também mudou seu comportamento e passou a agir com perversidade, rosnando e fazendo ameaças. Coagia a girafa, obrigando-a a destruir os ninhos de passarinhos ao término das aulas Os passarinhos indignados, reclamaram na escola, mas a perseguição aumentou ainda mais, deixando-os apavorados.
            A hiena, temendo tornar-se a próxima vítima, ria da maldade que os colegas faziam. Como estratégia, passou a criticar a gralha, responsável pelo sinal da troca de aulas, devido ao seu tom de voz estridente. A gralha, ouvindo constantemente as risadinhas dos colegas e sentindo-se humilhada, foi aos poucos se retraindo, até que desenvolveu uma gagueira e não pode mais tocar o sinal da escola.
            A anta, cheia de dúvidas, evitava fazer perguntas à professora, pois se sentia envergonhada pela zoação que recebia, prejudicando sua aprendizagem.
            Com a preguiça algo semelhante aconteceu. Aos poucos foi excluída do grupo. Tão chateada ficou que a motivação para os estudos e suas notas despencaram. Nem o alegre e estudioso pinguim escapou aos maus tratos. Sofria perseguição porque estava sempre elegante e bem vestido. Depois de algum tempo tornou-se estressado e mal humorado.
            Revoltante mesmo foi o que fizeram com o camelo e o esquilo. Eles não sabiam mais o que fazer, porque eram obrigados a entregar seus lanches todos os dias, para não apanhar na saída da escola. Com o veado, os valentões da escola pegaram pesado: excluíram-no do time de futebol, dizendo que era demasiadamente sensível para os esportes.
            Situação humilhante enfrentava o coelho. Seus colegas faziam gestos em sua direção e riam, apontando para o tamanho dos seus pés, dentes e orelhas. Com o tucano também foi assim, só que este tornou-se agressivo, por causa das piadinhas que faziam com o seu bico, e durante o recreio procurava os galhos mais altos e afastados para sozinho comer o seu lanche.
            Já o urubu andava chateado, porque era sempre constrangido devido à sua alimentação. O gambá decidiu abandonar a escola porque implicavam com o seu cheiro. A onça, cansada de receber apelidos por causa de suas pintas, resolveu implicar com o tamanho da boca do jacaré. O jacaré, por sua vez, acabou descontando no sapo, que adoeceu de tanto medo.
            Estranho foi o que fez a pacífica ovelha: proibia a pata de lanchar com a turma. A pata, não entendendo os motivos, chorava pelos cantos da escola, acreditando que ninguém gostava dela. Aos poucos, sua autoestima foi baixando, até que perdeu a confiança em si mesma, tornando-se insegura, aflita e temerosa.
            Até a pacata zebra mudou seu comportamento, depois de muito sofres “zoações” por causa das suas listras, e passou a dar coices nos colegas. O tatu provocava inúmeras situações embaraçosas e, como não conseguia se defender, se escondia no buraco, mas, quando saía, levava cada safanão... A coruja sofreu tanta “zoação” por causa dos seus olhos grandes que já não queria mais sair de casa. Em conversa com sua mãe, ela contou que sentia muita raiva dos colegas, que não queria voltar para a escola e que pensava em se vingar.
            O elefante, coitado, ia para a escola de casaco, num calor danado, para disfarçar sua gordura. Um dia, cansado das chacotas dos colegas, decidiu emagrecer, mas acabou desenvolvendo anorexia (perdeu a vontade de se alimentar) e teve que interromper seus estudos para tratamento.
            O canguru não aguentava mais: todo dia desaparecia alguma coisa da sua mochila. O macaco, muito bisbilhoteiro, sempre levava a culpa, mesmo sendo inocente. Irritado com as acusações injustas, começou a fazer brincadeiras inconvenientes com o porco por causa dos seus problemas intestinais.
            Fato curioso aconteceu com o rinoceronte: apanhava todos os dias. De tão amedrontado, quis desistir da escola, mas seus pais não deixaram. Bem que tentava se defender, mas, sozinho, sentia-se impotente para enfrentar o grupo. Para ele, pior do que apanhar dos colegas, apesar do seu tamanho, era mentir para os pais, inventando desculpas para faltar às aulas.
            Triste mesmo foi o que aconteceu com a raposa. Antes ela era meiga, esperta, excelente aluna, mas de tanto sofrer intimidações, foi perdendo a espontaneidade e a alegria de viver. Dizem que agora é perigosa, entrou para uma gangue e está envolvida com drogas. Com o cavalo também foi assim. Querendo dar um basta nos maus tratos que sofria, veio armado para a escola e acabou sendo expulso.
            Com a abelha e a formiga não foi diferente. Após sofrerem muitas ofensar por causa do seu tamanho, elas formaram um grupo e planejaram estratégias de ataques contra seus colegas nos banheiros e no pátio do recreio.
            Interessante percepção foi a da mãe coruja. Notando que sua filha chegava da escola agressiva, com ar de superioridade, querendo intimidar seus irmãos mais novos, resolveu ficar atenta. Procurou a direção da escola e contou o que estava acontecendo, querendo saber se lá ela agia assim. Nessa época, vários pais procuraram a escola para tentar entender os problemas apresentados por seus filhos. Outros começaram a tirar os filhos da escola. Até os professores não aguentavam mais tanta violência.
            Após reunir a equipe de professores e analisar os problemas enfrentados, a direção da escola percebeu que toda essa mudança de comportamento foi promovida por aquele bicho estranho, que haviam chamado de Bullying. Assim, a escola resolveu convocar todos os seus profissionais, os pais e os alunos para uma grande reflexão. O grupo concluiu que o medo, a insensibilidade, a dificuldade de compreender e se colocar no lugar do outro e a intolerância às diferenças individuais de cada um estavam prejudicando o ensino, a aprendizagem, as relações sociais entre as espécies, e a violência crescia no ambiente escolar.
            O papai búfalo lembrou a todos que, na construção da escola, cada um contribuiu conforme suas habilidades e o resultado foi extraordinário. Todos cooperaram com alegria, e a amizade foi fortalecida entre eles.
            O diretor considerou que a maior dificuldade dos alunos não estava na aprendizagem das disciplinas curriculares, mas sim na convivência, e disse que, doravante, todos na escola se empenhariam em educar os alunos para a paz, a fim de que a escola se tornasse um lugar onde todos pudessem ser incluídos. Por isso, resolveram ensinar sobre a importante participação das diferentes espécies na história da evolução e da manutenção do planeta.
            Desta forma, os alunos aprenderam que as diferenças sempre existirão, mas são os diferentes que fazem a diferença.


Cléo Fante e José Augusto Pedra (autores do livro Bullying Escolar – Artmed).


Religião

O QUE É A ESCOLA



Aluno:------------------------------------------------------------------------

                       AVALIAÇÃO DE ENSINO RELIGIOSO
O que é a escola?
Escola é…O lugar onde se faz amigos.
Não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários...
Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima.
O Diretor é gente,o Coordenador é gente, o Professor é gente, o Aluno é gente, cada Funcionário é gente.
E a Escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém,nada de ser como o tijolo, que forma a parede indiferente, frio, só.
Importante na Escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se “amarrar nela”!Ora, é lógico…
Numa Escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se,ser feliz.”                (Paulo Freire )

1-Agora escreva a frase que você mais gostou sobre a escola.
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2- Você gosta de sua escola. Por quê?
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4-Assinale as atitudes que  devemos ter para  conviver bem numa escola:
 (      ) Brigar ,bater e rir dos colegas .
(       )Ser camarada,fazer amizade, educar-se e ser   feliz
(       )Respeitar todos os funcionários,professores, diretores, serventes...
(       ) Nos comportar como amigos,colegas ou irmãos .
(       ) Não preciso respeitar para ser respeitado.
(        ) Só devo pensar em mim e não me importar com os outros.

5-Faça um desenho de você  e de seu melhor amigo ou amigos de sua escola escreva as características de cada um deles.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O LENHADOR HONESTO

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO:

O LENHADOR HONESTO

Há muito tempo, numa floresta verdejante e silenciosa, próximo de um riacho de águas cristalinas e espumantes corredeiras, vivia um pobre lenhador que trabalhava muito para sustentar a família. Todos os dias, empreendia a árdua caminhada floresta  adentro, levando ao ombro o seu afiado machado. Partia sempre assobiando contente, pois sabia que, enquanto tivesse saúde e o machado, conseguiria ganhar o suficiente para comprar o pão de que a família precisava.
Um dia, estava ele cortando um enorme carvalho perto do rio. As lascas voavam longe e o barulho do machado ecoava pela floresta com tanta força que parecia haver uma dúzia de lenhadores trabalhando. Passado algum tempo, resolveu descansar um pouco. Recostou o machado na árvore e virou-se para se sentar, mas tropeçou numa raiz velha e retorcida e esbarrou no machado; antes que pudesse pegá-la, a ferramenta caiu ribanceira abaixo, indo parar no rio!
O pobre lenhador vasculhou as águas tentando encontrar o machado, mas aquele trecho era fundo demais. O rio continuava correndo com a mesma tranquilidade de sempre, ocultando o tesouro perdido.
— O que hei de fazer? Perdi o machado! Como vou dar de comer aos meus filhos? — gritou o lenhador. Mal acabara de falar, surgiu de dentro do riacho uma bela mulher. Era a fada do rio que viera até à superfície ao ouvir o lamento.
–– Por que estás sofrendo tanto? — perguntou em tom amável. O lenhador contou o que acontecera e ela mergulhou em seguida, tornando a aparecer na superfície segundos depois com um machado de prata.
–– É este o machado que você perdeu?
O lenhador pensou em todas as coisas lindas que poderia comprar para os filhos com toda aquela prata! Mas o machado não era dele, e balançou a cabeça, dizendo:
–– Meu machado era de aço.
A fada das águas colocou o machado de prata sobre a barranca do rio e tornou a mergulhar. Voltou logo e mostrou outro machado ao lenhador:
–– Talvez este machado seja o seu, não?
–– Não, não! Esse é de ouro! Vale muito mais do que o meu.
A fada das águas depositou o machado de ouro sobre a barranca do rio. Mergulhou mais uma vez. Tornou a subir à tona. Desta vez, trouxe o machado perdido.
–– Esse é o meu! É o meu, sim; sem dúvida!
–– É o seu — disse a fada das águas —, agora também são seus os outros dois. São um presente do rio, por você ter dito a verdade.
À noitinha, o lenhador empreendeu a árdua caminhada de volta para casa com os três machados às costas, assoviando contente e pensando em todas as coisas boas que eles iriam trazer para sua família.

(POULSSON. Emile. In: BENNET, William J. O Livro das Virtudes para Crianças São Paulo; Editora Nova Fronteira, 1993. (Fragmento

1) O lenhador levava uma vida difícil, mas trabalhava com alegria porque podia sustentar sua família. O que representa o machado para o lenhador?

a) Um mero instrumento de trabalho
b) Uma forma de trabalhar sem esforço
c) Um meio de não ter concorrência
d) Uma ferramenta de estimação pois o ajuda sempre.


2) Cansado, o lenhador interrompeu seu trabalho por um instante. Nesse momento, ele tropeçou na raiz e esbarrou no machado que, colocado junto a uma árvore, caiu no rio.
O que se pode observar quanto à reação do lenhador, ao perder o machado?

a) Ficou desesperado e sofrendo muito.
b) Esperou que as águas tranqüilas devolvessem seu machado
c) Ficou calmamente assentado e pensativo
d) Orou simplesmente pedindo seu machado de volta.

3) Antes de trazer à superfície o machado de aço do lenhador, a fada do rio mostrou-lhe outros machados. A razão porque ela agiu assim foi:

a) Ela não conhecia o machado perdido
b) Ela queria saber se o lenhador era honesto
c) Ela queria saber qual o machado era mais valioso
d) Ela queria saber se ele tinha realmente procurado o machado no rio.

4) “Um dia, estava ele cortando um enorme carvalho perto do rio. As lascas voavam longe e o barulho do machado ecoava pela floresta com tanta força que parecia haver uma dúzia de lenhadores trabalhando”. Ao ler este trecho você pode entender, EXCETO:

a) Havia  mais de dez lenhadores cortando carvalhos  na floresta
b) O machado por ser afiado possibilitava rapidez nos cortes
c) O machado jogava as lascas longe do carvalho
d) O lenhador era rápido e ágil com seu machado.

5) Na história que você leu, não há moral, mas há algumas “pistas” no texto que permitem identificar a construção de um ensinamento moral. Que ensinamento moral pode ser identificado nele?

a) Quem tudo quer tudo perde
b) Para bom lenhador qualquer machado serve
c) A honestidade é capaz de derrubar muitas barreiras
d) O grito é um bom recurso quando se está perdido.

HISTÓRIA INFANTIL: "O CACTO SALVADOR




O CACTO SALVADOR
Dona Borboletinha saiu cedo de casa, pois estava com muita fome, precisava se alimentar. Já estava longe quando percebeu uma imenso gramado a sua frente. Sentiu um delicioso perfume vindo daquela direção. Naquele momento as estrelinhas mágicas apareceram na sua frente. Via o futuro e ela estava lá, perto de um pé de cacto que balançava com seus espinhos.
           Teve uma sensação boa, de alívio,  mas era estranho. Por que uma planta cheia de espinhos poderia ser útil ?.  As estrelinhas desapareceram e ela  se aproximou do gramado. Notou que ali havia uma pequena cabana de madeira  com um grande canteiro na frente, onde moravam várias flores.   
           Observou uma roseira,  uma dália, um girassol, um cacto, uma tulipa e várias outras flores que sequer sabia o nome. S borboletinha chegou e foi logo fazendo amizades.           Olá para todos – disse com simpatia – posso me alimentar um pouco aqui ?
Todas as flores responderam que sim e começaram a conversar.
           - Nossa, mas que roseira mais bonita e perfumada. Posso pousar em você ?
           -  Pode sim  - disse a roseira  sorrindo. Quem é você ? - perguntou.
           - Sou a Borboletinha Mágica e moro no Lago Azul.
A borboletinha também cumprimentou um besouro que estava por ali:
           -  Olá seu besouro, como vai o senhor ?
           -  Muito bem minha filha, me chamo Horácio, mas pode me chamar de Cinho  - estendendo a mão. 
           -  Muito prazer seu Cinho ! - disse a Borboletinha.
           -  Você não deve demorar em nós - disse a dona Dália  para ela.
           -  Por que ?
           - Porque ali naquela cabana  mora um homem que persegue e coleciona borboletas.  Já tem várias.
           - Nossa, então vou embora agora mesmo ! - disse assustada.
           - Não precisa ser agora, afinal ele saiu para caçar – disse o cacto.
           - Borboletinha – começou a rosa - nunca vi uma borboleta usando óculos, botas e pulseiras. É promessa?
           - Claro que não ! - respondeu -  As botas e a pulseira são porque gosto e fica legal, já os óculos uso porque preciso, enxergo pouco sem eles.
             A Borboletinha respondeu, mas também estava curiosa com a roseira.  Não perdeu tempo e perguntou:
           - Acho a senhora tão delicada, perfumada e muito bonita mas não entendo por que tem tantos espinhos no caule ?
           - Ora, Borboletinha, porque sou uma flor frágil, e também tenho que me  proteger daqueles que desejam o meu mal.
           - Como assim, fazer mal para uma linda flor, quem poderia ?
           - Existem muitos bichinhos nessa floresta, que adoram comer caules verdinhos e com os espinhos fica mais difícil para eles.
           - Ah, você precisa dos espinhos como eu preciso dos meus óculos.
           - Exatamente. O s espinhos também me ajudam quando um humano arranca minhas rosas, eu me vingo espinhando eles. 
           - Mas que coisa feia que você disse agora - retrucou o Cacto reprovando a Roseira.
           - Mas não é verdade  Você também tem espinhos e faz a mesma coisa com eles.respondeu a Roseira.
           - Ainda bem que minha espécie não tem esses coisas horrorosas, que machuca os outros - esnobou a Dália.
         -  Falou a exibida ! - disse o Cacto nervoso.
O besouro só escutava com a maior calma do mundo .
         - Acho melhor a borboleta ir embora agora - disse dona Tulipa. O caçador pode chegar a qualquer momento.
         - Mas ainda nem me alimentei direito, fiquei  só conversando.  - respondeu a borboletinha.
         - É exagero da Dália - começou o Cacto - o animal homem parou com isso.
         - Como sabe ? - perguntou a Roseira ao Cacto.
         - Porque faz tempo que ele não vem com aquela redinha aqui no jardim.
         - É verdade ! disse a Roseira -  fique a vontade Borboletinha, se o caçador aparecer, avisamos você.
         - Obrigado pela gentileza. Vou aproveitar então.
A Borboletinha Mágica aproveitou as guloseimas  ao seu redor, eram tantas flores apetitosas que ela não sabia em qual ir primeiro. O tempo passou e de repente ouviu um grito da Dália:
         - Vai embora Borboleta, o caçador vem ai !
Todas as outras flores começaram a gritar  para ela fugir rapidamente. Assustada a Borboletinha apenas voou para o alto. Lá poderia escapar da rede. Seu besouro também começou a voar na mesma direção dela, mas não contavam com um longo cabo que fez a rede alcançar os dois  no ar. Presa, a Borboletinha ficou desesperada, seria o seu fim? O vento soprou e levou consigo um braço do Cacto,  que encontrou o braço do caçador. Ele sentiu os espinhos e soltou a rede depressa, a Borboleta e o Besouro conseguiram escapar.
-  Maldito cacto vou te cortar agora mesmo, me fez perder a mais bonita borboleta.
Com um facão o caçador cortou um pedaço do cacto e muito bravo entrou na cabana com o braço cheio de espinhos.
Todas as flores ficaram com pena do Cacto, que se arriscou  pela Borboletinha.
         - Não se preocupem comigo, esse galho volta a crescer com o tempo -  disse o cacto.
Lá do alto a  Borboletinha  agradeceu pela gentileza do mais novo amigo:
         - Obrigado por salvar minha vida.
         - Exatamente, quando sabemos de algo que nos faz mal, devemos ficar distante - disse a roseira.
         -  Você nunca mais vai vir nos visitar ?  - perguntaram as Violetinhas à Borboleta.
         - O dia que não houver mais perigo eu volto, prometo. Tenho muito o que contar para a dona Margarida. Tchau ! 

SE ALGUÉM TE PROCURAR...

SE ALGUÉM TE PROCURAR...
Com frio... É porque você tem o cobertor.

Com alegria... É porque você tem o sorriso.

Com lágrimas... É porque você tem o lenço.

Com versos... É porque você tem a música.

Com dor... É porque você tem o curativo.

Com palavras... É porque você tem a audição.

Com fome... É porque você tem o alimento.

Com beijos... É porque você tem o mel.

Com dúvidas... É porque você tem o caminho.

Com orquestras... É porque você tem a festa.

Com desânimo... É porque você tem o estímulo.

Com fantasias... É porque você tem a realidade.

Com desespero... É porque você tem a Serenidade.

Com entusiasmo... É porque você tem o brilho.

Com segredos... É porque você tem a cumplicidade.

Com tumulto... É porque você tem a calma.

Com confiança... É porque você tem a força.

Com medo... É porque você tem o AMOR!

(autor desconhecido)

Ninguém chega até VOCÊ por acaso. 
Em "TUDO" há o propósito de Deus! 
Inclusive em você estar lendo aqui, agora.
Por esta razão e outras, repasse a tantos quanto puder. 
Afinal...
"Você pode até não ser ninguém para este mundo, mas é o mundo para alguém"

A BORBOLETINHA E O PRESENTE MÁGICO



"A BORBOLETINHA E O PRESENTE MÁGICO"

ABORDAGEM: CRIANÇA QUE USA OCULOS
Num vale distante muito longe daqui, há um belo lago bem no meio de uma floresta.
É tão limpo que se chama Lago Azul. Ali vivem muitos bichinhos. Começamos por uma 
Borboleta que mora numa árvore . Ela tem corpo de moça e é muito vaidosa.
Adora usar roupa nova . 
Sua melhor amiga é uma flor, a dona Margarida, que mora na margem direita do Lago.
A Borboleta sempre desce para visitar a amiga flor :
- Olá dona Margarida, como vai ? 
- Tudo bem comigo e com você ? 
- Ando meia confusa ultimamente. Não consigo enxergar direito.
- Não consegue enxergar ?! - perguntou a flor. 
- Pois é ! Ontem mesmo, eu quase trombei numa árvore. De repente tudo ficou embaçado
e quando vi estava em cima dela. Foi por pouco que não me arrebentei inteirinha.
- É mesmo ! espantou a amiga. 
- É sim , o que será que tenho ? 
- Não sei, mas acho que o Dr. Sabiá pode ajudar. 
- Como faço para encontrá-lo ?
- Não tenho idéia . Porque sei que é muito ocupado. 
Nesse instante apareceu na beira do lago o peixe Pedro. 
- Parece que ouvi algo sobre o Dr. Sabiá ?
- É , estou precisando encontrá-lo - respondeu a borboletinha.
- Ora, ora , ele está ali do outro lado do lago . Quer que o chame ?
- Por favor , gostaríamos muito - respondeu a flor . 
Alguns minutos depois chega o Dr. Sabiá, com sua maleta de médico.
- Olá garotas, qual é o problema ? perguntou com a maior simpatia. 
- O problema sou eu, acho que estou doente dos olhos - respondeu a borboleta. 
- Preciso examinar então. E foi tirando uma lupa da maleta. Depois de alguns minutos, falou : 
- Seu problema não é grave . Vou receitar um bom par de óculos e tudo se revolve. 
- O que ? Óculos, o senhor enlouqueceu ? perguntou ela. 
- Não - respondeu ele - estou apenas receitando o remédio para curar os seus olhos . 
- Mas vou ficar muito feia de óculos ! Não quero.
- Minha querida amiga - disse a flor - são apenas óculos.
Com eles, você irá enxergar muito melhor. 
- Não quero . Todo mundo vai rir de mim - disse ela .
- Ninguém vai rir não, por que usar óculos é importante - disse a flor. 
- A dona Margarida tem razão - disse o doutor - você precisa usar os óculos. 
E pode ficar muito bonita com eles.  É só escolher o par certo .
- O senhor acha mesmo ? perguntou cheia de vaidade. 
- Mas é claro - respondeu ele.
- Está bem , onde estão ? perguntou decidida. 
- Espere aqui. Vou até meu consultório e mandarei minha assistente trazer 
a caixa para você escolher. E saiu voando. 
Uma hora se passou e nada da assistente com a caixa. 
- Está demorando tanto, o que será que aconteceu? Perguntou a borboleta aflita.
De repente descobriu o porquê da demora, viu a tartaruga Teresa se aproximandocom uma caixa 
enorme nas costas. 
- Olá pessoal ! Foi aqui que pediram para trazer a caixa do Dr. Sabiá ? 
- Foi aqui mesmo, os óculos são para mim - disse a borboleta meia triste. 
- Então boa escolha para você - disse a tartaruga deixando a caixa no chão .
Duas horas se passaram e a borboleta não conseguia escolher os óculos . 
A tartaruga já sonolenta resolveu ajudar. Tirou do fundo da caixa um pequeno 
baú de madeira, dentro dele tinha um par de óculos. Ofereceu à borboleta : 
- Experimente estes daqui - e deu os óculos para ela. 
A borboleta colocou os óculos e consultando o espelho disse : - gostei !!! 
- Ficou perfeito - apoiou a flor . 
- Sim, vou ficar com esses - e colocou - mas tem algo estranho acontecendo aqui .
Vejo estrelinhas brilhando na minha frente . 
- Estrelinhas brilhando !?  Que imaginação você tem - disse a tartaruga, sorrindo.
- Agora posso levar a caixa embora ?  Tenho outras entregas .
- Pode - disse a borboleta - vou ficar com estes mesmo. 
- Nossa, mas como você ficou bonita com eles . Acho que sua vida vai mudar muito de 
agora em diante - disse a tartaruga se despedindo.
- Por que ? O que vai acontecer ? 
- É só uma palpite . E partiu lentamente com a caixa nas costas . 
Mais tarde apareceu o Dr. Sabiá para ver como ela tinha ficado com os óculos. 
- Desculpe o atraso, estava com outros clientes - disse ele - borboleta vejo que já fez a escolha .
Ficou maravilhosa com os óculos . Parabéns. 
- Obrigado, doutor, parece que passei a enxergar muito mais. Estou vendo até estrelinhas brilhando
na minha frente. O doutor deu um sorriso, depois piscou para a flor e disse : 
- Que bom, fico feliz por ter ajudado. Não se preocupe que essas estrelinhas 
vão desaparecer com o tempo. E se foi.
Mais tarde a borboleta foi para sua casa. Lá sentada numa poltrona tirou os óculos. 
Viu que as estrelinhas desapareciam , voltou a colocar e lá estavam elas de novo brilhando.
Achou tão estranho que resolveu procurar a tartaruga em sua casa. 
- Olá. Tartaruga Teresa , vim fazer uma pergunta . 
- Já sei o que é - disse ela com tranqüilidade . São os óculos . 
- Pois é, você me deu eles e agora vejo um monte de estrelinhas brilhando na minha frente . 
- O que está acontecendo ?
- Esses óculos que lhe dei, são mágicos ! A Borboleta se espantou .. 
- Mágicos ? São mágicos de verdade ? 
- São ! E você verá muitas coisas com eles, o futuro e o passado.
A Borboleta ficou paralisada , não estava acreditando no que ouvia .
- Só tem um detalhe, terá que guardar segredo. Se contar para alguém, e ele acreditar, 
a magia acaba no mesmo instante . 
- Guardar segredo ? Nem para a Margarida ? 
- Ninguém . E sua função é ajudar seus amiguinhos . 
- Como assim ? Não entendo .
- Simples, ao ver as estrelinhas, saiba que uma visão mágica vai aparecer . 
Pode ser o futuro ou o passado de alguém. Por isso fique em alerta para ajudar.
Você foi escolhida para isso . Só você terá a visão .
- Mas o que devo fazer , depois dessa visão ? 
- Depende , às vezes nada, às vezes muita coisa . Encontrará o caminho. 
- Agora preciso fazer outras entregas. Adeus . E partiu. 
A borboleta ficou olhando para a tartaruga que se afastava lentamente e pensou : 
- Nossa, agora sou uma borboleta mágica. E pensar que não queria pôr os óculos. 
- Ainda bem que coloquei . Acho que sou uma borboleta de sorte, porque posso ver muitas 
coisas e ter muitas aventuras....


sexta-feira, 24 de junho de 2011

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                   O Projeto Político Pedagógico e a Gestão Inovadora
     O projeto político-pedagógico é o ato da escola pensar a sua ação educativa. É uma forma de organizar o trabalho pedagógico que facilitará a busca de melhoria da qualidade do ensino. Esta organização se dá em dois níveis: no da escola como um todo, o que envolve sua relação com o contexto social imediato; e no da sala de aula, incluindo as ações do professor na dinâmica com seus alunos. O projeto político-pedagógico da escola pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e de antecipação do futuro , que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para melhor organizar, sistematizar e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo. Então sua dimensão político-pedagógica caracteriza uma construção ativa e participativa dos diversos segmentos escolares — alunos, pais, professores e funcionários, direção e toda a comunidade escolar.
        A participação dos membros da comunidade escolar na construção do projeto da escola vai seguramente levar a escola ao sucesso, porque desenvolvido desta forma permite que as pessoas  ressignifiquem  as suas experiências, reflitam sobre as suas práticas, resgatem , reafirmem e atualizem os seus valores na troca com os valores de outras pessoas, explicitem os seus sonhos e utopias, demonstrem os seus saberes, dêem sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmem as suas identidades, estabeleçam novas relações de convivência e indiquem um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação.
      É assim que as escolas devem decidir o seu futuro. Esse movimento visa à promoção da transformação necessária e desejada pelo coletivo escolar e comunitário. Infelizmente às vezes as escolas não percebem que a elaboração do seu projeto é um momento privilegiado para que a escola conte e registre a sua história, não se permitindo desperdiçar tal oportunidade.
       O projeto político-pedagógico é uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sócio - político e com os interesses reais e coletivos da maioria da população. E ele é pedagógico porque na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, comprometido, crítico e criativo. É pedagógico, no sentido de se definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. O político não pode jamais perder a dimensão da finalidade pedagógica nem sobrepor-se a ela, senão as práticas vão ficar atrofiadas. Os níveis político e pedagógico estão sempre juntos. O político refere-se à intenção explicita de educação da escola e o pedagógico ás diversas estratégias de organização do seu trabalho como um todo.
     Algum tempo atrás a escola brasileira era criticada por ser considerada como um aparelho ideológico de estado e de ser reprodutora do status  que. A partir da década de 80 mais ou menos, ela passou a ser reconhecida como um “importante espaço na concretização das políticas educativas, deixando de ser um mero prolongamento da administração central”. Então, entre o macros sistema e a prática da sala de aula passou-se a considerar a dimensão intermediária da escola, vista como uma organização social inserida num dado contexto local, com suas especificidades, que deviam ser entendidas e transformadas em projeto educativo. 
     Ao mesmo tempo em que isso acontecia, surgiram novas concepções de planejamento. Essas concepções levaram à incapacidade da antiga filosofia da escola e do tradicional regimento escolar de darem conta da nova complexidade que se apresentava. É nesse contexto que o projeto político-pedagógico veio surgindo e se afirmando como uma necessidade para os educadores e as instituições de ensino. Outra razão para que as escolas tenham seu projeto político pedagógico está na LDB. Lá estão as bases legais que tratam da necessidade da construção do projeto político pedagógico como estimulo à gestão democrática, atribuindo aos profissionais da educação a função de elaborá-lo, executá-lo e avaliá-lo.
     Porém, a escola que ainda mantém o seu projeto político pedagógico apenas como um documento para atender exigências legais precisa saber que nenhuma conquista ou mudança fundamental acontece gratuitamente, sem esforços, sem luta e sem conflito. Aí está a dimensão política do ato educativo. Daí a necessidade do projeto político-pedagógico, porque ele é processo no qual registramos tais demandas, criando movimentos favoráveis ao alcance das mudanças desejadas. Daí, também, cada pessoa resgatar o prazer de participar do processo de mudança da escola porque, ao fazê-lo, estará mudando a si mesma e construindo também o seu projeto político-pedagógico individual. Acredita-se que só uma escola consciente e responsável será capaz de reconduzir a escola à sua verdadeira vocação. Para tanto, é necessário investir na gestão participativa, a fim de que se tenha um corpo de profissionais verdadeiramente engajados em seu trabalho e acionadores de uma nova proposta de educação.
         A autonomia e a gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza do ato pedagógico. A gestão democrática é uma exigência de seu projeto político-pedagógico.A participação efetiva e ativa dos diferentes segmentos sociais na tomada de decisões, conscientiza a todos de que são atores da história que se faz no dia-a-dia da escola. Colocar a escola - e não mais o governo, a Secretaria de Educação - na liderança da atividade educacional significa dar à direção das escolas a liberdade, as condições e os estímulos para tomar iniciativas, zelar pelo funcionamento cotidiano da instituição, buscar apoio e recursos na comunidade. A gestão da escola passa a ser, então, o resultado do exercício de todos os componentes da comunidade escolar, sempre na busca do alcance das metas estabelecidas pelo projeto político-pedagógico construído coletivamente. A gestão democrática, assim entendida, exige uma mudança de          mentalidade dos diferentes segmentos da comunidade escolar. A gestão democrática implica que a comunidade e os usuários da escola sejam os seus dirigentes e gestores e não apenas os seus fiscalizadores ou meros receptores de serviços educacionais. Na gestão democrática e participativa, pais, alunos, professores, funcionários, direção e comunidade assumem sua parte na responsabilidade pelo projeto de escola. Para tanto, no papel de articulador, educador da coletividade, o gestor escolar tem de saber ouvir, alinhavar idéias, questionar, inferir, traduzir posições e sintetizar uma política de ação com o propósito de coordenar efetivamente o processo educativo . A autonomia e a participação, pressupostos do projeto político-pedagógico precisam ser sentidos nos conselhos escola-comunidade.
FUNDAMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO.
A elaboração do projeto político-pedagógico necessita de um referencial que o fundamente. E os alicerces dele estão nos pressupostos de uma teoria pedagógica viável, que parta da prática social e do compromisso de solucionar as deficiências da escola. Há necessidade, também, de domínio dos aspectos metodológicos indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. É preciso desenvolver um novo jeito de trabalhar na escola e dentro desse novo jeito tem-se que entender que o que se faz na escola é num contexto de tensão, de correlações de forças - às vezes favoráveis, às vezes desfavoráveis. De qualquer forma esse novo jeito de trabalhar terá que nascer do próprio "chão da escola" e ser construído coletivamente.
      Então compete, assim, à administração da escola viabilizar inovações pedagógicas planejadas em conjunto e implementadas através da ação de cada membro da escola, sejam alunos, professores, funcionários ou comunidade externa. Para que isto ocorra, as vezes é necessário que ocorra mudanças na própria lógica de organização e de comportamento das instâncias superiores. Então é essencial que a secretaria de educação e a direção da escola propiciem condições aos alunos, professores e funcionários para que eles aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico da forma mais efetiva e crítica. A organização do trabalho pedagógico da escola tem também a ver com a organização da sociedade já que a escola como instituição social, está inserida na sociedade, e sujeita às determinações e contradições dessa sociedade
PRINCIPIOS BÁSICOS
Para que o projeto o projeto político-pedagógico, como forma de organização do trabalho da escola, seja coerente com a escola democrática, pública e gratuita é preciso que esteja balizado pela :
A - igualdade - de condições para acesso e permanência na escola. Sabemos que há grandes desigualdades de natureza sócio-econômica, cultural e de cor entre as crianças, antes mesmo de chegarem à escola, ou seja, os alunos já são desiguais no ponto de partida. Sabemos também que a escola é permeável aos mecanismos de discriminação e exclusão que existem na sociedade, no entanto, a igualdade no ponto de chegada (permanência do aluno na escola) deve ser garantida pela mediação da escola.
Igualdade das condições de acesso e permanência na escola requer muito mais do que a simples expansão quantitativa da oferta de vagas. É necessário a ampliação do atendimento de boa qualidade. E este é outro principio que orienta a elaboração do projeto político pedagógico da escola democrática
B - qualidade - O desafio do projeto pedagógico da escola é viabilizar qualidade para todos, o que vai muito além da meta quantitativa do acesso global. Qualidade implica consciência crítica e capacidade de ação, de saber e de mudar . A qualidade que desejamos e necessitamos conjuga caráter formal ou técnico (enfatiza os instrumentos, os métodos e as técnicas), com o político (voltado para o desenvolvimento do senso critico) Neste aspecto da qualidade vejamos o que o projeto político-pedagógico exige:
  Definição clara do tipo de escola que os educadores, funcionários, alunos e pais desejam; Definição dos fins a serem alcançados pela escola;   Definição do perfil de cidadão que a escola formará.
 Avaliação das condições de viabilidade dessa escola ideal com definição de etapas e meios para concretizá-la; Um outro principio que deve nortear o projeto político pedagógico, é a:
C - gestão democrática - A busca da gestão democrática inclui a ampla participação dos representantes da comunidade escolar nas decisões / ações administrativo-pedagógicas nela desenvolvidas. Implica a construção de um projeto de enfrentamento da exclusão social, da reprovação e da não permanência na sala de aula. A socialização do poder pela prática da participação coletiva atenua o individualismo; alimenta a reciprocidade, eliminando discriminações; e reforça a autonomia , reduzindo a passividade e dependência de órgãos intermediários que tornam a escola uma mera executora de determinações alheias. A gestão democrática envolve a participação crítica e ampla na construção do projeto político-pedagógico e no seu desenvolvimento, assegurando a transparência das decisões, fortalecendo as pressões para que elas sejam legítimas, garantindo o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobretudo, contribuindo para que sejam contempladas questões que de outra forma não entrariam em cogitação.
D - Liberdade - é um outro princípio consagrado na constituição e está necessariamente associado à idéia de autonomia . Liberdade e autonomia fazem parte da própria natureza do ato pedagógico.
A liberdade, é algo que se experimenta, individual e coletivamente, e que envolve uma articulação de limites e possibilidades. É uma experiência que se constrói na vivência coletiva, interpessoal. A liberdade na escola deve ser pensada na relação entre os seus diferentes segmentos em um contexto participativo, onde todos têm liberdade para influir nas decisões e, portanto, têm também responsabilidades sobre elas e, particularmente, sobre a construção do projeto político-pedagógico .
O ultimo principio está relacionado a
E - Valorização do magistério - é um princípio central na discussão do projeto - pedagógico. A qualidade de ensino e o sucesso na tarefa de educar estão intimamente relacionados à: formação - inicial e continuada; às condições de trabalho - recursos didáticos, físicos, humanos e materiais, número de alunos na sala de aula etc; e à remuneração docente. Implementar e desenvolver o projeto político-pedagógico exige a qualificação dos profissionais da escola, tanto os técnico-pedagógicos quanto os técnico-administrativos, buscando a interação das equipes de modo a haver uma ação em benefício do aluno. A formação continuada deve ser um direito de todos os profissionais que trabalham na escola e, portanto, deve fazer parte do projeto pedagógico.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
Um outro aspecto importante na construção do projeto político-pedagógico é relativo aos sete elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico:
a - finalidade da escola;  b - estrutura organizacional;  c - currículo;  d - tempo / calendário da escola;
e - processo decisório;  f - relações de trabalho;  g - avaliação.
 A - finalidades da escola
referem-se aos efeitos pretendidos e almejados:
•  Finalidade cultural : como a escola prepara, culturalmente, os indivíduos para uma melhor compreensão da sociedade em que vivem.
•  Finalidade política e social : como a escola forma o indivíduo para a participação política que abrange direitos e deveres da cidadania?
•  Finalidade de formação profissional : como a escola prepara os alunos para uma vida produtiva, capaz de se valer efetivamente das oportunidades econômicas e ocupacionais?
•  Finalidade humanística : como a escola promove o desenvolvimento intelectual, emocional, integral do aluno? Que homens, que pessoas formaremos? A análise conjunta pela comunidade escolar dessas dimensões levará à identificação das finalidades que precisam ser reforçadas, das que estão relegadas a segundo plano e de como elas poderão ser detalhadas segundo as áreas, os cursos, as diversas disciplinas, e os conteúdos programáticos. O importante é decidir, coletivamente, o que se quer reforçar dentro da escola, detalhando as finalidades para se conseguir um processo ensino-aprendizagem bem sucedido e se formar o cidadão desejado.
B - estrutura organizacional  
A escola dispõe de dois tipos básicos de estrutura: a administrativa e a pedagógica:
Estrutura administrativa  
Realiza a alocação e gestão dos recursos humanos, físicos e financeiros. Abrange todos os elementos de natureza física, tais como o estado de manutenção do prédio e das instalações e equipamentos; os materiais didáticos, mobiliário, distribuição das dependências e espaços livres, limpeza, ventilação e iluminação.
Estrutura pedagógica
 Determina a ação das estruturas administrativas.Organiza as funções educativas para que a escola atinja de forma efetiva as suas finalidades. Refere-se às interações políticas, às questões de ensino -aprendizagem e às de currículo. A análise da estrutura organizacional da escola serve para identificar quais estruturas são valorizadas e por quem, verificando as relações funcionais entre elas. Isso significa indagar sobre suas características, seus pólos de poder, seus conceitos e orientar os questionamentos:
•  O que sabemos da estrutura pedagógica?
•  Que tipo de gestão está sendo praticada?
•  O que queremos e precisamos mudar na escola?
•  Qual o organograma previsto e qual está sendo praticado?
•  Quem constitui o organograma previsto e qual é a sua lógica interna?
•  Quais as funções educativas predominantes?
•  Como são vistas a constituição e a distribuição da autoridade nessa área?
•  Quais são os fundamentos regimentais e como estão sendo praticados?

C - currículo
É um importante elemento constitutivo da organização do conhecimento transmitido na escola e envolve, necessariamente, a interação entre sujeitos que têm um mesmo objetivo e a opção por um referencial teórico que o sustente. É uma construção social do conhecimento, que abrange as formas de transmissão e de assimilação.
Vale ressaltar que o currículo expressa uma dada cultura, não sendo um instrumento neutro. Por essa razão, a sua definição requer reflexão crítica, que interprete tanto as suas implicações no âmbito da cultura dominante, quanto no da cultura popular.
O currículo formal está explícito e "decodificado" em conteúdos, metodologias e recursos de ensino, avaliação e relação pedagógica, de tal forma que permita controle e avaliações pelas autoridades. O currículo formal convive com o currículo oculto, entendido como as mensagens transmitidas na sala de aula e no ambiente escolar.
Nossas escolas têm sido orientadas para a organização hierárquica e fragmentada do conhecimento escolar. No entanto, a escola deve buscar uma nova forma de organização curricular na qual o conhecimento sistematizado para cada disciplina (o conteúdo), estabeleça uma relação aberta e inter-relacionada em torno de uma idéia integradora - o currículo integração - com o objetivo de reduzir o isolamento entre as disciplinas curriculares.
D - tempo escolar
O calendário ordena o tempo: determina o início e o fim do ano letivo, prevê os dias letivos, as férias, os períodos em que o ano divide-se, os feriados cívicos e religiosos, as datas reservadas à avaliação, os períodos para reuniões técnicas e colegiadas etc.
O horário fixa o número de horas por semana, que varia em razão das disciplinas constantes da grade curricular. Estipula, também, o mínimo de aulas por professor. Há disciplinas que se tornam equivalentes porque ocupam o mesmo número de horas por semana, e são vistas como tendo menor prestígio se ocuparem menos tempo que as demais. O que deve orientar a equivalência é a análise do conteúdo de modo a se concretizar a proposta de uma idéia integradora.
Quanto mais compartimentado for o tempo, mais hierarquizadas e ritualizadas serão as relações sociais, e mais reduzidas serão as possibilidades de se institucionalizar o currículo integração.
Para elevar a qualidade do trabalho pedagógico torna-se necessário que a instituição educacional reformule seu tempo, estabelecendo períodos de estudo e reflexão de equipes de educadores, fortalecendo a instituição como instância de educação continuada. É preciso tempo para que os educadores troquem experiências, trabalhem em conjunto e aprofundem seu conhecimento sobre os alunos e sobre o que estão aprendendo, para acompanhar e avaliar o projeto político em ação, e, para os estudantes se organizarem e criarem seus espaços para além da sala de aula.
E - o processo de decisão
Na organização formal das nossas escolas, o fluxo das tarefas é orientado por procedimentos formalizados, prevalecendo relações hierárquicas de mando e submissão. Para minimizar isso, a escola deve prever mecanismos que estimulem a participação comprometida de todos no processo de decisão e promovam a revisão periódica das atribuições específicas e gerais. Para tal, é necessário haver uma distribuição de responsabilidades e um processo de decisão participativo.
Nesse sentido, há necessidade de mecanismos institucionais de participação de todos os envolvidos com o processo educativo da instituição escolar. Para tanto, sugere-se a instalação de :
•  Processos eletivos de escolha de dirigentes e regras de rotatividade nos cargos;
•  Colegiados com representação dos diversos segmentos da comunidade interna e externa;
•  Processos coletivos de avaliação continuada dos serviços escolares.

F - relações de trabalho
Um aspecto básico a ser considerado, na concretização do projeto político - pedagógico da escola, é a existência, ou não, de relações de trabalho apoiadas em atitudes de solidariedade, reciprocidade, e participação coletiva; em oposição à relações regidas pelos princípios de divisão do trabalho, fragmentação e controle hierárquico.
Em qualquer ambiente de trabalho há confrontos de interesses ou opiniões dentro e, especialmente, entre os diferentes segmentos que compõem a organização. No nosso caso, estamos falando de alunos, professores e funcionários. Desses embates podem resultar conflitos, tensões e rupturas e/ou negociações, acertos e amadurecimento sobre os problemas em questão. Podem também resultar mudanças qualitativas, inovações. É muito importante não fugir dos atritos e encará-los como oportunidades que viabilizam a construção de novas relações de trabalho que favoreçam o diálogo entre os diferentes segmentos.
G - Avaliação
Acompanhar e avaliar as atividades escolares são atividades que levam à reflexão sobre como a escola está organizada para colocar o projeto político - pedagógico em ação. A avaliação crítica do projeto é aquela que busca explicar e compreender as causas das insuficiências e problemas conhecidos, as relações entre essas causas e as necessidades de atuar nessas causas, buscando ações alternativas criadas coletivamente.
A autocrítica exige que se analise o projeto político-pedagógico, não como algo estanque, desvinculado dos aspectos políticos e sociais, mas como um projeto que aceita, reconhece e reflete as contradições e conflitos.
O processo de avaliação envolve três momentos:
•  Descrição e a problematização da realidade escolar;
•  Compreensão crítica da realidade descrita e problematizada;
•  Proposição das alternativas de ação - momento de criação coletiva. a avaliação deve, portanto:
•  Ser democrática;
•  Favorecer o desenvolvimento da capacidade de apropriar os conhecimentos científicos, sociais e tecnológicos;
•  Ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica.
ETAPAS DE ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO DO PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO
Conforme as necessidades e características de cada escola esse processo obedecerá a determinadas etapas. Mesmo que se admita certa flexibilidade, é possível apontar em linhas gerais , três grandes etapas que orientam a escola na realização dessa tarefa. Essas etapas, é claro estão bastante relacionadas, dependendo umas das outras.
A primeira etapa é o diagnóstico preciso da realidade
Essa etapa consiste em analisar as dimensões pedagógica, administrativa e financeira do trabalho da escola, reconhecendo os principais problemas e suas causas. Trata-se, portanto, do levantamento dos mais variados dados positivos e negativos, que contribuam para a explicitação da realidade da escola.
Além de coletar os dados é importante que a escola interprete estes dados relativos a sua realidade , atentando para os aspectos quantitativos e qualitativos. Precisa também apresentar estes dados fazendo para isto a tabulação que é a organização dos dados e a apresentação em tabelas e gráficos. Além disso, é essencial que os dados coletados sejam bem analisados. A pergunta-chave nessa etapa é: como está nossa escola? Assim a realidade deve ser analisada em vários aspectos como , por exemplo:
•  Físicos: dependências e mobiliários;
•  Desempenho da escola: índices de evasão , reprovação, distorção idade-série, etc..
•  Recursos financeiros, materiais, e humanos ,disponíveis ;
•  A realidade dos alunos, professores , servidores e comunidade;
•  Estratégias de avaliação da organização do trabalho pedagógico
Na segunda etapa deve–se proceder a definição das concepções do grupo sobre a escola Nessa etapa , levantam-se as concepções do grupo, visando a construção da identidade da escola . Aqui deverão ser definidas as concepções desejadas e assumidas coletivamente com vistas a mudança da realidade já diagnosticada. É preciso que sejam descritos os princípios que poderão orientar a organização do trabalho pedagógico.
Devem ser definidos por exemplo:
•  A visão de homem na qual a escola se baseia para orientar a formação dos seus alunos
•  A idéia que a escola possui acerca da origem do conhecimento
•  A forma como a escola vê o caráter histórico da educação face os diversos grupos sociais ;
•  As abordagens didático-metodológicas escolhidas pela escola para a sistematização do saber .
A pergunta fundamental neste momento é : que escola desejamos?
Mantendo coerência com esta pergunta a escola deve coletivamente elaborar objetivos e propor metas.
A terceira etapa é a operacionalização da proposta pedagógica da escola.
Essa etapa é, na realidade, a apresentação do caminho que a escola escolheu para seguir. Aqui a escola deve deixar claro o que quer fazer e como deseja alcançar os seus objetivos. É, portanto, a execução do que foi decidido e assumido pelo coletivo.
É importante nesse momento, que a escola defina estratégias adequadas à implementação do projeto político e os meios para o alcance das metas e dos objetivos determinados na etapa anterior. É fundamental a participação dos vários segmentos da escola na concepção, execução e avaliação da proposta pedagógica, mas a sistematização desta pode ser feita por uma equipe , na qual deve haver representação dos vários grupos que participam do processo –pais ,alunos, professores e demais funcionários da escola , a direção, o conselho escolar, entidades da comunidade, etc.. Como analisamos anteriormente a construção do projeto político pedagógico é flexível , porem as três grandes etapas de elaboração que acabamos de estudar podem ser redigidas e adaptadas , dependendo da realidade de cada escola , na seguinte estrutura básica que apresentamos como sugestão:
•  Fundamentação teórica;  
 Identificação e justificativa do projeto
•  Objetivos gerais e específicos  
•  Diagnóstico da realidade escolar
•  Clientela-alvo e metas estabelecidas
•  Propostas de soluções
•  Metodologias de desenvolvimento e de avaliação do projeto
•  Recursos- materiais e humanos    - Responsabilidades e parcerias


BIBLIOGRAFIA:
FERREIRA, Naura Syria Carapeto. (org.). Gestão da Educação : impasses, perspectivas e compromissos. Cortez, 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa . São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GADOTTI, Moacir. Escola Cidadã . Polêmicas do nosso tempo. São Paulo: Cortez/ Autores Associados, 1992.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico – crítica: primeiras aproximações. 3ª ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992.
VEIGA, Ilma Passos A. Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção coletiva. in Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1995.